Um comentário em “Debate político no Brasil – Parte 1

  1. Quando li o texto me preocupei, Marcelo, porque só avistei algum horizonte positivo no quinto grupo. Ele denuncia o quanto as categorias são pouco desenvolvidas na sociedade brasileira. Pessoalmente, para mim, é muito difícil discutir sobre política ou, ampliando mais, mesmo economia, que é minha área (raríssimamente você verá eu falando uma palavra sobre o assunto).
    Mas, outro dia, ao discutir sobre o ipi sobre os carros importados no facebook com um amigo muito inteligente, me deparei com algo que me assustou. As pessoas descreditam TANTO o governo (instituição) que não são capazes de enxergar nada positivo em nenhuma instância. Aquele Deus conceitual perfeito pode assumir o papel de governante que será taxado de instrumento de politicagem e corrupção. Não que esses fatores não ocorram e que não sejam extremamente importantes. Eles são. Mas certamente as funções sociais do governo não deveriam ser ignoradas, ou no mínimo conhecidas suas intenções para que possam ser criticadas com bom senso. É impossível criticar um objeto sem conhecê-lo, ao meu ver.
    E, no Brasil, percebo que há uma coisa muito estranha acontecendo. Não raro vejo que as pessoas passam por três estágios, pelo menos até a minha geração. O primeiro é o romantizado que vimos na escola primária (onde tudo é lindo, os livros tem imagens de ídolos e mártires nacionais). O segundo é o do hoje ensino médio e que se propaga pela Universidade em muitos casos, onde a perspectiva se reverte, se desconstrói o castelo de cartas e tudo passa a ser horrível, péssimo. Tudo é jogada política, existe uma teoria da conspiração suja para nos manter sob controle e as classes dominantes no poder, etc. Embora essa segunda visão esteja mais próxima da real (você se decepciona menos com a sociedade se adotar uma postura negativista porque tudo que beneficia parece “lucro”), este ponto de vista é tão extremista quanto o primeiro.
    E aí é que está: muitos dos ditos “inteligentes”, intelectuais, pensadores são aqueles que só atingem esse estágio. Isso porque nossa sociedade carece de conhecimento para atingir mesmo esse nível.
    Mascaramos então o terceiro estágio, que é o da autocrítica. Aquele que conhece o elemento que está avaliando DE TODOS OS LADOS existentes, forma uma opinião e a divulga, refinando a informação. Não impõe à ninguém, expõe canais de informação que defendem posturas antagônicas e analisa vantagens e desvantagens sem conceitos pré concebidos. Na verdade não vivemos nem no abismo obscuro e negro onde só existe corrupção e domínio de elites nem no mundo iluminado da desinformação onde tudo parece maravilhoso e temos que ficar aplaudindo essa estupidez. Existe um meio termo que se aproxima muito mais do primeiro mundo que expus na frase anterior, infelizmente, mas NÃO é negro, é cinza. E isto já é alguma coisa bem melhor do que apregoam por aí.

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