No ano que acabou há quatro dias, acompanhei várias séries de TV com frequência e atenção como não dedicava a elas fazia alguns anos. Acompanhei, total ou parcialmente, 22 séries – parcialmente sendo aquelas que não me agradaram e das quais acabei desistindo. Dentre essas 22, escolhias dez que mais me agradaram. A regra é que contam para a avaliação os episódios inéditos lançados nos Estados Unidos entre 1º de janeiro e 31 de dezembro, independentemente de temporadas. Vamos ao resultado.
10. The Walking Dead – os sete episódios exibidos em 2011 tiveram grandes oscilações em termos de avanço da trama; em muitos momentos, apenas andava-se em círculos. Por outro lado, um começo promissor e um final arrebatador garantem uma posição média – o que é pouco, para quem esperava uma série top.
09. Dexter – depois da razoável quinta temporada, considerada por quase todos como a mais fraca da série, Dexter passou a abordar religião, trouxe vilões interessantes, cortou o tempo das tramas secundárias (embora ainda tenha desperdiçado algum com a dispensável Laguerta) e teve alguns momentos brilhantes. A resolução da trama da temporada foi menos emocionante do que se poderia esperar, mas o cliffhanger deixado no último instante do último episódio foi um dos melhores momentos da televisão em 2011.
08. Greek – uma série que nunca chegou a decolar, Greek foi colocada em espera e voltou, em janeiro do ano passado, para uma última temporada de apenas 10 episódios (contra 20 da terceira e 22 das duas primeiras). O que os produtores fizeram com esses dez episódios? Os melhores da série. Tramas pessoais tratadas até então de forma superficial ganharam profundidade, a comédia funcionou e houve momentos geniais, como o episódio “All About Beav”. O episódio final, intitulado “Legacy” (legado) fez jus ao título e à série, resumindo com maestria a mensagem de que cada um é do seu jeito, e aprender a viver com isso, e extrair o máximo disso, é a verdadeira lição da época de faculdade.
07. Law & Order: Special Victims Unit – dois momentos bem distintos marcaram SVU em 2011: a segunda metade da 12ª temporada trouxe a clássica formação original, encabeçada por Christopher Meloni e Mariska Hargitay; ao fim dessa temporada, Meloni anunciou sua saída da série, que voltou então para o 13º ciclo com dois novos detetives. Ainda na fase Stabler, grandes momentos como Mask, Pursuit, Bombshell e o final arrasador da temporada. Na fase pós-Stabler, o surpreendente desempenho de Danny Pino e Kelli Giddish foi suficiente para dirimir dúvidas sobre o futuro da série.
06. Game of Thrones – baseado na turma que adora O Senhor dos Anéis, mas mirando conquistar um público mais amplo, a série baseada nos livros de George Martin virou febre. Tanto que não faltaram pessoas dispostas a fazer vista grossa a alguns defeitos apresentados aqui e ali – e tentar impor aos outros que fizessem o mesmo. Fanáticos à parte, Game of Thrones tem muitos mais méritos do que deméritos, e na lista de méritos incluem-se a fotografia, a direção de arte e, especialmente, as atuações. O elenco, que conta com muitos desconhecidos, ajuda a sustentar a qualidade da série no patamar superior à média.
05. Community – como vem acontecendo desde a quase perfeita primeira temporada, Community tem altos e baixos. Os baixos representam episódios médios, não arrebatadores. Os altos, por outro lado, se traduzem nos melhores momentos de qualquer comédia e de quase qualquer série de TV existente. O ano passado começou com a trinca “Asian Population Studies”, “Celebrity Pharmacology 212″ e “Advanced Dungeons & Dragons”, hilários e brilhantes (e que tiveram o mérito de pegar o exibicionismo de Chevy Chase – pior ator da série, com sobras – e transformá-lo em algo que serve mais ao conjunto do que ao ator).
04. Homeland – a novata mais surpreendente do ano, Homeland construiu em 12 episódios uma trama inteligente, bem amarrada e que fluiu com muita naturalidade. O início foi bom, mas um tanto banal para quem está acostumado com estórias de espiões (e eu sou leitor assíduo de Tom Clancy). Episódio após episódio, entretanto, a obra só fez melhorar. Já no trecho final houve algumas patinadas, mas nada que comprometesse o conjunto. Claire Danes oferece um desempenho brilhante. Pena que o último cliffhanger tenha sido constrangedor, mas isso é detalhe.
03. Castle – para abrir o pódio, uma série que eu nunca tinha visto, e comecei em 2011. Por ter 24 episódios em cada temporada, Castle tem vários episódios descartáveis. O período de 2011, entretanto, acabou sendo privilegiado. O desenvolvimento do caso do assassinato da mãe da detetive Beckett englobou vários capítulos e adicionou quantidades avassaladoras de emoção e desenvolvimento de personagens. Juntem-se a isso episódios como “To Love and Die in L.A.” e a dupla “Setup” e “Countdown” (esses dois últimos, aliás, trazem alguns dos melhores momentos da TV no ano) e Castle já mereceria bastante destaque. A terceira posição é conquistada porque a série ofereceu nada menos do que o melhor season finale e a melhor season premiere do ano.
02. Justified – a primeira temporada foi muito boa. A segunda foi genial. Diálogos cirurgicamente trabalhados, personagens que pareciam saltar da tela de tão vivos, tramas inteligentes, desenvolvimento de personagens (até dos coadjuvantes menores), momentos emocionantes e um desfecho avassalador tornam Justified uma série obrigatória – e que pouca gente tem visto.
01. Breaking Bad – sabem quantas séries nos últimos meses ofereceram uma das melhores temporadas de todos os tempos? Só uma. Só Breaking Bad. Trabalhando cada aspecto de cada episódio, desde a trama até a cenografia, desde as atuações até os efeitos sonoros, a quarta temporada de Breaking Bad atingiu picos de genialidade que simplesmente não permitem comparação com nada que foi ao ar em 2011. No ano passado, Breaking Bad foi melhor do que todas as outras. Simples assim.
Obviamente, essas dez séries eu assisti em totalidade, já que foram minhas preferidas. A título de informação, as outras séries que eu vi ao longo do ano passado foram: American Horror Story, The Big Bang Theory, Brothers & Sisters,House, Law & Order: Los Angeles, Terra Nova, Two and a Half Men (na íntegra); The Cape, Desperate Housewives, The Event, The Good Wife, Rookie Blue, Shattered e Supernatural (parcialmente).
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